quarta-feira, 12 de novembro de 2008

DIA 5



Bem, na véspera tinha ido dormir às 7 da manhã mas consegui levantar pra pegar o busão. Mas daí à ficar acordado nas palestras... Isso sim seria o real desafio. Ao chegar na academia e tomar café senti o estômago pesar e o corpo pedir pra dormir. A primeira palestra do dia foi com um inglês chamado Mala. Ele tem um selo que se chama DMZ que pelo que eu entendi ele começou a fazer Drum & Bass por volta de 2000 e pouco e agora ele é um dos pioneiros do ritmo do momento na Europa o Dubstep. No decorrer da palestra, eu realmente não agüentei e dormi mesmo. Profundamente. Fui acordado perto do final e fiz muita força para não dormir de novo. Quando acabou e todos foram almoçar, eu me estiquei em um dos sofás e durante as 2 horas de almoço, dormi o quanto pude pra agüentar o resto do dia.

Fui acordado novamente na hora que ia começar a segunda palestra do dia que era com outro inglês. Joel Martin. Um colecionador e pesquisador de discos e na real, foi bem interessante. Ele tocou bastante música boa durante sua palestra, falando sobre discos raros e mostrando coisas bem bacanas, entre as quais, o som de onde saiu o sample de "Fuck the Police" do Jay Dee; que é de um tipo de disco que era uma espécie de opção mais barata para comerciais e programas e TV que não podiam pagar uma orquestra para fazer a trilha sonora original. Bem maneiro. E pra mim que sou aficcionado por discos... Foi um prato cheio.




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À noite tinha uma festa num clube chamado Macarena. Mas, antes, eu tinha visto uns cartazes dizendo que ia ter um show do dj australiano Kid Koala. Ele já tinha se apresentado no Rio umas duas vezes mas nas duas eu não consegui ir. Então, eu tinha que ir. E assim foi. Fui para a sala Apolo com Carles; um dos catalães na produção local e totalmente local. Chegamos no pico de cara e na faixa. O Apolo é um teatro antigo que foi transformado em casa de show mas o interior foi mantido no mesmo estilo. Muito bonito. O lugar estava bem cheio e tava tocando um dj local mantendo a pista na boa. Poucos minutos depois o show começava e Kid Koala chegava com seu jeito de urso tímido e simplesmente bota o lugar abaixo!!! Ele fez uma apresentação bem eclética, desde o rock e rap (é claro) até jazz e blues. Tudo mixado e misturado como é sua marca registrada no melhor estilo "tudo ao mesmo tempo agora". Muito Brabo mesmo!!! Destaque para seus mixes com a voz de Jessica Rabbit e seu já clássico "solo de trompete" que é impressionante!!!!





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O show do Kid Koala foi cedo, começou por volta das 21 horas então, por volta de uma da manhã, fui para o clube onde teria a festa do dia da academia; o Macarena. Que é uma caixinha de fósforo com o dj no meio, mas bem honesto. Um som batendo legal e o pessoal animado. Foi a noite do Dubstep, com o português Mushug, Mark Pritchard do production team,  Mala,  e o venezuelano radicado em Barcelona  Cardopusher. Estava bem legal, mas como eu não tinha dormido a noite anterior, fui cedo pro hotel. Assisti o Mushug que fez um som bem pesado, com muita coisa que me pareceu angolana e produções próprias bem legais. Depois, Mark entrou na pista tocando clássicos do Reggae até chegar ao Dubstep com um som bem diferente, eu achei. Interessante, mas, como tava cansado, fui embora no meio do seu set.




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DIA 6




Sexta feira. Além de ser o fim de semana e o booker da academia ter marcado outra gig pra mim, eu estava esperando esse dia pois teria uma das palestras que eu mais queria ver. Mas antes, claro, o café da manhã e a primeira palestra do dia. Esta foi com um catalão chamado Diego Manrique, que nos falou sobre a história da música local. Explicou um pouco sobre a unificação dos reinos que formaram a Espanha e sobre a ditadura que dominou o país no século passado. Durante sua palestra, Diego nos mostrou músicas típicas da região, falou sobre a mistura da Salsa cubana com o Flamenco e sobre um dos expoentes desta mistura que ficou muito popular no país e se chamava Camarón. Como nós brasileiros ao nos referirmos a Roberto Carlos, também o chamam "O Rei". Ele falou também sobre a liberdade e abertura política e cultural que se instalou nos anos oitenta, depois da queda da ditadura e como as olimpíadas de 92 "limparam" a cidade. No bom e no mal sentido; que, segundo ele, diminuiu a cena underground espontânea do lugar. Interessante.




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Na segunda palestra do dia, o inventor do sintetizador polifônico Tom Oberhein falaria para nós e eu queria ver o que ele tinha a dizer. Ele é um velhinho simpático tipicamente americano, com um sotaque forte mas bem interessante e cabeça aberta. Ele falou sobre como criou seus primeiros sintetizadores seguindo o modelo básico de dois osciladores, um filtro LFO e um filtro de envelope. Além de contar histórias sobre ele tomando café com Bob Moog, as reuniões dos inventores de sintetizadores uma vez por mês nos EUA ou como Herbie Hancok o congratulou por suas invenções. Ele falou ainda sobre sua relação com a música, coisa que eu achei digamos... Bonita. Ele disse que nunca fez música ele mesmo, mas que a parte dele no processo era criar o instrumento. Cabia aos músicos finalizar o ciclo utilizando sua criação e finalizando o processo criativo. Pra ver como são as coisas; depois de anos criando sintetizadores, Tom Oberhein passou por uma época de dificuldades financeiras em sua empresa e pediu ajuda a seu advogado que conhecia há dezesseis anos. O tal advogado o aconselhou e o ajudou a traçar um plano. Baseado na confiança que tinha, Oberhein seguiu o plano e no final, foi roubado por seu advogado. Não era mais o detentor de seus inventos e nem da empresa que carregava seu sobrenome. Vivendo e aprendendo. Não é só no Brasil que tem "malandragem". Mas, como quem é, é. O inventor da síntese polifônica continua firme e forte na luta. Aplausos de pé pra ele.






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1ºsintetizador polifônico by Tom Oberhein


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Depois disso, não tive muito tempo pra ficar nos estúdios. Fiz uma entrevista pra Redbull Academy Radio e fui pro Mephisto onde eu tocaria mais tarde. O line-up era formado além de mim pela inglesa Goldielocks e os também britânicos dj Food e DK que fariam um set audiovisual. Cheguei lá cedo (por volta das 10) pra passar o som. Além de ter que armar o sistema e ver como funcionaria a troca de equipamentos do set d dj Food pro meu, (esse lance de tocar com interface digital é bom, mas é cheio de nove horas...) Goldielocks havia me perguntado se poderia colocar suas bases durante sua apresentação e eu, claro que disse que sim. Depois de o dj da casa abrir a noite, entrei no palco com Goldielocks e ela despejou suas rimas com sotaque britânico e bastante atitude. Bem legal o som dela. (Foi um dos que mais me chamou atenção na listening session), mas o show foi bem curto, 20 e poucos minutos. Depois entraram os dj Food e DK. Usando Serato com um plugin de vídeo que deixa o set completamente audiovisual; eles passearam por estilos e ritmos fazendo a galera agitar bastante. Depois deles, foi a minha vez. Como já tinha tocado os funks cariocas e um bocado de som brasileiro na outra festa, resolvi fazer um set mais voltado pro rap e mashups com musica brazuca. Felizmente, a galera curtiu e vibrava cada vez que eu juntava uma batida de rap com um som brasileiro completamente desconhecido para eles. Agradeço ainda a presença de Nego Tema e Wali novamente que gritavam sem parar junto com o bonde que levaram pra balada. Nota 10





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camarim do Mephisto. Heavy Metal!!!!



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Dj Food & D.K.




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no palco com Goldielocks





DIA 7




Sábado. Finalmente não tinha que acordar cedo. o dia era livre e os estúdios só abririam a partir das 2 horas. Eu queria comprar umas coisas e mais que tudo, queria dormir. Acordei umas 3 e pouco e fui pra cidade. No livreto que deram pra gente tem o endereço e uma leve indicação de onde ficam várias lojas e eu fui na que me indicaram como a que teria as agulhas do modelo que eu uso e que, segundo me disseram, era bem perto de onde se localiza a academia. Peguei o metrô e quando saí da estação fui perguntando aonde ficava a tal da Carrier Peru. Ninguém sabia. Velhos, jovens, homens, mulheres, ninguém sabia onde ficava a bendita da rua e lógico, nem imaginava que loja era essa que eu queria. Depois de uma hora andando e de ter dado a volta ao mundo, desisti e voltei pra academia. Cheguei lá faltando 15 minutos pra hora em que supostamente se encerrariam as atividades esperando que estivesse vazia. Qual não foi a minha surpresa ao ver que não só tinha um bocado de gente lá como também parecia que não ia fechar tão cedo. Fiquei lá trabalhando até mais ou menos uma da manhã depois fui pra festa do dia (ou da noite) que era num clube chamado Razzmatazz. O lugar era gigante e a fila maior ainda. Gente saindo pelo ladrão. Depois de mais ou menos meia hora na fila (de convidados, a de pagantes me disseram que quase dava a volta no quarteirão), entrei no lugar. Várias salas tocando música eletrônica. Não sei exatamente como cheguei aonde estavam tocando os caras da academia. Na real achei o clube meio chato. Meio "sábado" demais pra mim e fiquei meio desanimado. Muita música que não fazia exatamente o meu estilo e não exatamente me emocionava. Fiquei um tempo lá e voltei de metrô pro hotel.




DIA 8




Tinha uma excursão em algum lugar que eu não sei o nome (e ninguém soube me dizer também) mas eu não fui. Estava com uma bruta ressaca da noite anterior além do fato que precisava ligar pros meus contatos em Barcelona e, é claro, escrever esse texto (o que foi impossível durante a semana visto o que estou contando aqui, né?). Então, disse que não ia, dormi até a tarde, almocei uma bela junkie food e fiquei o dia todo no hotel escrevendo. espero que vocês tenha curtido e semana que vem mando o resumo dessa semana. Abraços e beijos aos amigos e amigas. Qualquer dia tamo aí...



 



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